Hoje eu tive que fingir que gostei de uma comida horrível. Ponto negativo.

            Hoje eu me perguntei: porque existem tripés se você pode carregar uma câmera na mão? Ponto positivo.

            Hoje eu me frustrei novamente porque meu esmalte não dura mais que 5 dias. Ponto negativo.

            Hoje eu descobri que existem uvas sem semente. Ponto positivo.

            Hoje cheguei a conclusão que não terei tempo nem pra respirar nas próximas semanas. Ponto negativo.

            Hoje descobri um quadro andrógeno no MASP que quase ninguém repara. Ponto positivo.

            Hoje acordei. Ponto negativo.

            Hoje ignorei 4 pessoas que distribuíam folhetos nas ruas. Ponto positivo.

            Hoje eu vi a Marimoon e ela me disse que eu parecia com a Winnie CooperN pontos negativos.

            Em compensação, hoje lembrei que no sábado vi uma pomba morrer atropelada na minha frente. N ao quadrado pontos positivos.

É, tá equilibrado.

ps: o blog completou 1,000 visitas hoje. ê!


A Mentira

27Ago08

Filmar.  Está na nossa mão a imagem do mundo. E ela pode ser vista do ângulo que quisermos. Ela pode se transformar em sonho, em riso, em ódio. Ela vem de fora, mas se incorpora dentro, ela é o macro e o micro, tudo em uma coisa só. E é a realidade. É aquilo que se vê, mesmo que aquilo for uma grande mentira. E se segundo Nietzsche o Evangelho é uma grande mentira… Mentiremos, então! Um pouco dessa enganação faz bem. Entorpece, seda, e faz a gente acreditar. É a mentira mais dócil que já te contaram… O jump cut é uma grande reticências… A vida é um grande jump cut - Genial frase by Mari Gusman! - As sombras que não existem, as luzes que levam ao nada, os lugares que terminam, o céu de papelão. Ah, e como isso tudo é bom. Como  é bom olhar aquilo e acreditar. Desse jeito, quero ser enganada a vida toda…!

 

Não é que não estou escrevendo. É que não ando gostando de nada que escrevo… Inclusive esses dois últimos textos. Paciência.



Vês?!  Ninguém assistiu ao formidável 
Enterro de tua última quimera. 
Somente a Ingratidão — esta pantera — 
Foi tua companheira inseparável! 

Acostuma-te à lama que te espera! 
O Homem, que, nesta terra miserável, 
Mora, entre feras, sente inevitável 
Necessidade de também ser fera. 

Toma um fósforo.  Acende teu cigarro! 
O beijo, amigo, é a véspera do escarro, 
A mão que afaga é a mesma que apedreja. 

Se a alguém causa inda pena a tua chaga, 
Apedreja essa mão vil que te afaga, 
Escarra nessa boca que te beija!

(Augusto dos Anjos)

É engraçado. De certo modo essa poesia me persegue. O título dela  é “Versos Íntimos”. Tem horas que adoro, outras que odeio, mas me é íntima, de verdade, como jamais outra coisa foi. E isso porque sempre que sinto a escarrada, dou-lhe razão. “Como esse ser humano pôde ter escrito tão bem aquilo que se vê nos cantos da vida?”. Também me pergunto se isso acontece com todo mundo, ou se simplesmente estou num momento pessimista da vida. Cheguei a um extremo, e perdão por citar Amy Winehouse logo depois de Augusto dos Anjos, mas… “Love is a Losing Game”.

Por que arriscamos amar? O amor é um defeito insaciável do homem, talvez um desejo desesperado e íntimo de sofrer achando que está em busca da felicidade. Sempre que amamos, nos decepcionamos. Mas quando não temos ninguém pra amar também ficamos insatisfeitos. Existe a plena felicidade que dura através de anos, existe esse tal amor infinito e insuperável que nos fazem digerir - e acreditar - nas telenovelas, por exemplo?! Na vida real, não ouço histórias como essa. Ouço histórias de mentiras, hiprocrisia, terror, saudades… Mesmo nos casos aparentemente bem sucedidos… Nas histórias de amor há sempre uma vírgula, acho que é assim que elas se sustentam.

Na verdade há muita coragem em quem arrisca amar. Coragem dos dois lados. Tentam se convencer que são uma coisa só, mas são duas, sempre vão ser. Dois corpos distantes, inquietos, que não se conhecem, apesar de tudo. Dois seres pensantes, energia ligando-os em algo que é inexplicável e alguns dão um nome.

Amor não existe. É uma palavra designada para sentimentos e ações que as pessoas consideram semelhantes. Amor transcende. A idéia do que ele é está dentro de cada um, seria impossível unir as suas com a dos outros, mas ela se constrói com a tentativa. Tentamos infinitamente, com vírgulas, sem vírgulas… Um dia sentamos e aí: “Eu amo essa pessoa, é amor! O que mais poderia ser?” - Então o convencimento. Das vírgulas, da superação, da teoria, da prática, então dizemos: “Amor é isso aqui”.

Apesar de tudo, eu não me isento. Tenho necessidade de amar, de superar-me e não consigo evitar nada disso. É mais fácil pensar assim: A mão que te afaga é a mesma que apedreja… Apedreja essa mão vil que te afaga! Maior que é a coragem de amar, é a de não amar, não se entregar a essa chama maravilhosamente mórbida. Antes das vírgulas… Pontue.


Enquanto isso, um escrito no banheiro de um buteco na Freguesia do Ó…

Mulher inteligente + Homem inteligente = Romance

Mulher estúpida + Homem inteligente = Caso

Mulher inteligente + Homem estúpido = Casamento

Mulher estúpida + Homem estúpido = Gravidez

 

PS: Sei que abandonei o blog por um tempo… Mas daqui a pouco volto… Contando minhas aventuras na Bienal do Livro!!


No, no, no…

09Ago08

Amy Winehouse. A cantora. A diva (?). O mito. Vivendo a 675 km/h (enquanto nós… a 60km/h, graças a deus!). Está na hora de fazer o búqui pra virar modelo da fordy modeus…

 

Little Sapeca Amy

Aqui já percebe-se o gosto por evitar pentear o cabelo desde a infância. Somada à gravata desarrumada, diria que a garota tem suas tendências. Inclusive a de ter dentes frontais separados (Isso vai entrar um dia pro meu Top10 - Coisas delicadamente abominantes). Ah, pra quem duvida, essa foto é dela sim, peguei em um site oficial.

 

Antes
Antes

Amy veste: Casaquinho “mamãe casei” rosa-bebê com estampa clássica de inverno e está com o cabelo solto! E curto! E ainda colocou ele para o ladinho! Cadê o bustiê pink? Os medalhões dourados? Os laços putanescos? E o que falar dessas bochechas rosadas? Qualquer sogra amaria.

 

Depois
Depois

Ok. Essa é a realidade do dia seguinte: Uma calça de moletom velha e rasgada no joelho, com resquícios de tinta branca, certamente da última reforma da casa, que aparentemente, tem uma cozinha esperando para ser limpa e uma louça louca pra ser lavada.

 

Fake
Gata

A maquiagem está fabulosa, perfeita, e a sombrancelha? Bem feitíssima… Batom maravilhoso, não escapa um milímetro da boca, destaque para a pequena tatuagem meiga de um coração a esquerda e… Sim, eu pago pau pros brincos que ela usa! É foto de revista. Até que tá bonitinha, né? E o cabelo desarrumado é puro “loosho”.

 

Real
Borralheira

Primeira coisa: Suor. A partir daí pra pior. Maquiagem mal feita, alça de sutiã mequetrefe, costeletas, dentes amarelos (e separados), cigarro estranhamente grudado na boca (baba seca? ecow). Nem precisa comentar o cabeleco. E… bem, apesar de tudo eu continuo a pagar pau para os brincos que ela usa.

 

“And if my daddy thinks I’m fine…”

Atualizado: Vídeos: Amy Winehouse - Tears Dry On Their Own 


Stats

06Ago08

Interessante é ver o que as pessoas digitam no google para achar meu blog…

Termos de motor de busca

Estes são os termos que as pessoas utilizaram para encontrar o seu blog.

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OK. Então acabo de descobrir que pessoas que procuram no google vídeos de sexo com gordas se interessam também em clicar no meu blog. Ótimo. Se não bastasse essa maldita gripe parte II que não me deixa levantar da cama…


De 8 a 17 de agosto na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, acontecerá a II Jornada de Cinema Silencioso.
Serão exibidos filmes mudos raros, de diretores conceituados, inclusive japoneses e brasileiros.
O mais bacana é que as sessões terão acompanhamento musical ao vivo e algumas serão totalmente silenciosas.
Vale a pena.

Quero assistir “Trindade Maldita”, de Tod Browning, mesmo diretor de “Freaks”, um dos meus filmes prediletos (Apesar de não ser silencioso).
Loveit.
Ficaiadica.

ONDE: Cinemateca Brasileira
Largo Senador Raul Cardoso, 207
Vila Clementino, São Paulo - SP

QUANTO: Free


Endorfina

29Jul08

Devo estar com algum problema, tudo trava. Quando eu tento desenvolver um raciocínio, trava. É um hiato sem pé nem cabeça que aparece a hora que bem entende. Deve ser a confusão mental, o cotidiano (Ela faz tudo sempre igual…). Preciso de emoção, vou saltar de um abismo de milhões de metros com uma cordinha amarrada, PRECISO LIBERAR ENDORFINA - (Me entregarei de novo ao interessantíssimo programa de gordinha tensa?)

E por falar em gordinha… A única coisa que comecei a tentar escrever e que me pareceu interessante, foi sobre os quadros do Botero. É, acho que o destino de todos, daqui a alguns anos, vai ser inevitavelmente esse. Nação McDonald’s:


É a mensagem do filme “O Passado”, dirigido por Hector Babenco. É um roteiro dramático, e só não beira o dramalhão porque consegue equilibrar-se devido às muitas muitas reviravoltas na história, e não fica cansativo.

O filme começa com a separação de um casal que viveu junto por 12 anos. A moça (Sofia) ainda é apaixonada, mas Romini (Interpretado pelo deleitemáximo Gael Garcia) parece estar cansado. Na verdade o motivo da separação é o que menos importa no henredo. O tempo passa, e o foco narrativo do filme se volta para o rapaz. Ele começa a se relacionar com outras mulheres, mas Sofia está sempre presente, de um jeito ou de outro, através de telefonemas, pequenas cartas, pequenos encontros casuais… O que acaba transtornando o personagem principal, que se vê desmoronando cada vez mais em cada volta da ex-mulher.

Claro que vai ficar super chato se eu contar o fim, mas vale a pena assistir pela reflexão que o filme proporciona… Me fez pensar sobre a importância da memória, e de que forma ela se desprende do passado para viver conosco o presente.

A memória é mesmo atemporal. Sofia, no filme, é uma  personagem enlouquecida, que volta e faz atrocidades, loucuras… E é inconstante, fica muito tempo longe, depois volta e persegue. Essa  personagem é a nossa memória (O nome já nos dá a dica… Sofia). Até que ponto também não pensamos atrocidades? Nos afundamos nos pensamentos daquilo que poderíamos ter feito e não fizemos no passado… E depois passa, fica muito tempo afastada, até que um dia voltam. E vão voltar até o fim da vida.

As vezes temos a impressão que elas querem ficar. Mas elas nos enganam, porque a cada dia construímos novas memórias sem perceber. É algo incontrolável. Amamos, sofremos, choramos, vivemos, rimos… E tudo fica ali. E vai, e volta. A memória é atormentadora, não é? Não é um demônio? Não tem dias que queremos esquecer de tudo, apagar tudo aquilo, e começar feliz? Mas não podemos. E no fundo nem queremos. Se apagarmos tudo não teríamos motivos pra rir depois que tudo passa. Mas nada passa. A vida não é um rio como dizem por aí. A vida é tudo isso, é uma grande massa orgânica de pensamento, e pensar ou lembrar de uma pessoa já é mudá-la e mudar-se. A memória do que passou é o próprio presente. E o presente é inconstante e flutua na nossa frente, sempre passando. A memória é aquilo que vivemos de verdade. Quando lembramos, estamos lá/aqui, afinal de contas, a vida é pensamento também.

Tudo é passageiro, mas tudo o que passa faz parte do presente. O passado jamais passa.

E depois dessa divagação filosófica, assistam o filme, vocês vão começar a pensar coisas desse tipo também!


Conferindo a programação da Bienal este ano, um evento paralelo me chamou atenção, não custa compartilhar:

17/08 (Domingo) - Espaço Literário Ipiranga - 15h30

“Passagens: O hipertexto da modernidade” de Walter Benjamin - Com Willi Bolle

Sinopse do livro: “Passagens” (1927-1940), de Walter Benjamin, é uma das obras historiográficas mais significativas do nosso tempo. A partir de Paris, a “capital do século XIX”, especialmente suas galerias comerciais enquanto “arquipaisagem do consumo”, é apresentada a história cotidiana da modernidade - com figuras como o flâneur, a prostituta, o jogador, o colecionador, e os meios de uma escrita polifônica que vai desde a luta de classes até os fenômenos da moda, da técnica e da mídia. Este texto com mais de 4.500 “passagens” constitui um dispositivo sem igual para se estudar a metrópole moderna, e por extensão, as megacidades do mundo atual. (Fonte)’

Fica aí a dica. Lembrando, a Bienal acontece de 14 a 24 de agosto, das 10h as 22hrs no Anhembi, em São Paulo. Me procurem perto dos gibis da Mônica, hehe.




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