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preciso voltar. mas odeio quando não sei dizer qual é a hora certa. odeio mais ainda todas as lembranças e a minha força que digo tão intensa ser tão ausente na hora que eu mais preciso. e de nem eu acreditar nas palavras, nos gestos, nos momentos e em toda meleca que me sufoca tanto quanto sua própria maciez. juro que eu queria falar e fazer exatamente o contrário, porque vai contra de que toda a pedra que me machuca parece me sangrar azul. e todo momento contrário parece ser tão bom, mas que dor eu preciso chamar pra me fazer cair de vez, e, confortavelmente em algum lugar, que eu nem sei de tão desesperada. fico procurando palavras melhores, mas hoje o melhor me enoja, apesar de eu precisar tanto dele. desculpe, eu estou caindo, parece que de novo estou aqui me quedando com palavras desconexas. isso sim é vomitar. minha vida é vomitar. sempre vomitar. adoro falar vômito. essa palavra podia me engolir, eu podia estar no estômago, mas estou caindo devagar, e devagar divagando contra o espelho. espelho, é isso. espelho e vômitos. todas essas palavras podiam me engolir, mas elas estão me vomitando.
JIMI HENDRIX – MACHINE GUN
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Este texto eu escrevi a algum tempo, estou postando mais porque ando meio sem inspiração… =~~ Espero que um dia ele possa virar letra de música, ou coisa parecida. um som estranho que parece de uma flor viajo entre o céu ecoando entre palavras uma árvore de prazeres ela está caída em fúria e raiva ainda mais profunda
fica entrando devagar
numa nuvem de cheiros
uma fumaça de todas as cores
escrevendo meu nome no ar
voando com asas de cobra
beijando o chão daquela princesa
nos seios das garotas bonitas
e no sorriso das feias
conquistando um oceano inteiro
nadando no leite
se desfazendo das coisas brilhantes
mas desejando ir mais fundo
ela parece uma boneca
olhe pra ela
olhe como ela corre devagar…
descendo as escadas
rindo até descobrir um lugar
que ela possa chorar
Supertramp – Lord, Is it Mine?
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Gostaria que você lesse um pouco sobre mim, mas eu tenho mania de mentir, sabe?
Então.
Na verdade eu queria ir para casa. Imagine. eu estava dentro de um banheiro e toda a minha pupila dilatada só olhava pro chão. Eu, também dilatada, chorava líquido seminal. Era malcheiroso. Eu lavava o chão do banheiro de tanto que chorava. me doía os olhos, e me dóia também a cabeça. queria tomar logo um remédio para que a dor fosse embora, mas era terrível o simples fato de eu ingerir alguma coisa. Passaram a me chamar de Senhorita ‘empty’ depois de um tempo, sabe, aqueles que viviam cantarolando músicas na minha cabeça o tempo todo, cantarolando, e se me permite, enchendo o meu saco. Daqui a pouco eu sei, não vou deixar mais eles me chamarem de nada, porque apelidos são ridículos. Naquela hora eu só queria alguma coisa séria pra me preocupar. Séria. É pra rir, né? Eu nunca ganhei na brincadeira do sério, minha vida sempre se cercou de palhaços e eu sempre gostei de tirar sarro daquelas pessoas que pensam que o mundinho de adultos dele é o suficiente. Sabe, sempre ri quando uma vez um executivo passou na minha frente e comicamente escorregou numa casca de banana. Estranho, porque cenas assim eu só tinha visto em desenhos animados, nos desenhos nem tinham tanta graça assim, mas ao ver aquele paletó, meu deus. era paletó e banana, todos estatelados no chão, prontinhos pra virar entulho. bem que queria que virassem entulho mesmo. todos aqueles nojentos, a maioria com gravatas que podiam muito bem servir para enforcá-los. Podiam muito bem morrer todos, as crianças deveriam governar. brincar é muito melhor que tudo isso, eu sei todas as brincadeiras. se não souber eu aprendo rapidinho. trabalhar é sério, e difícil, tem que saber umonte de coisas. por isso prefiro chicletes e pipocas. Tudo tipo lindo, tipo maravilhoso, tipo lindo, tipo só comer porcarias e beijinhos pra minha mãe, pro meu pai e especialmente pra você e pra Sasha. Depois de um tempo essas coisas cansam. Cansam nada. Nada cansa. Só me canso de ficar sem fazer nada. Ah, isso é bom, bem que se podia não fazer nada o resto da vida. Seria bom, mas precisa-se comer, precisa-se beber. O que não precisa é lágrimas e líquidos seminais.
Abre a porta.
Ah, minha filha, dá licença que eu preciso limpar o banheiro.
Beatles – Penny Lane
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Sentada no carpete, ela contava os lápis-de-cor no chão. Eram dezessete. Os arrumava de maneira a deixar as cores claras na frente e por último as cores escuras.
“O preto fica por último, o preto fica por último” – Ela dizia, repetidamente, e quase freneticamente, sabe-se lá porquê.
“Fica quieta, filha, não tá vendo que a mamãe quer ver o jornal?”.
“A mamãe quer ver o jornal, a mamãe quer ver o jornal”. – E repetia, bem tontinha e ordinária, mas agora um pouquinho mais baixo pra mamãe não ouvir.
A mamãe estava sentada, os sapatos no chão, jogados de qualquer jeito. Distraída e desajeitada. Muito distraída. Aprisionada pelas palavras da tv, que vinham e confundiam seu ouvido. Que bom, que bom, que bom, finalmente em casa, finalmente meu jornal, nem acredito, dá pra acreditar? Não dá. Tão cansada, e agora jornal. Quero tudo quieto. E me distrair, e ouvir as notícias. Só as notícias. Ela estava doida pra ouvir notícias. Bem frenética, igual a filha, que nesse momento começou a dar uns chiliques pela sala.
“Mamãe, olha meu desenho, que lindo, olha!”.
“Lindo, filha, parabéns”. – Mas nem olhou quase. Agora ela queria descansar, estava toda de pernas pro ar e não queria nem saber. Só queria saber das notícias.
A menina tinha desenhado umas flores. Continuava a desenhar flores. Flores e corações, casinhas e nuvens… Tudo misturado e colorido. Tinha até umas nuvens laranjas e corações azuis no lugar das pétalas das flores. Tinham também maçãs roxas nascendo de uma árvore tão verde, tão verde que mal se via os galhos. Ela nem apagava nada. Só continuava desenhando flores, em cima de corações, de nuvens e casinhas, apesar de ter mais folhas em branco. Tá lindo, adorei. Adorei. Tenho que usar poucas folhas se não acaba tudo, e eu tenho que desenhar mais, e depois não tem folha pra mais.
O dólar subiu, o dólar subiu, corrupção, corrupção, assassinato, assassinato, guerra, guerra, estados unidos, estados unidos. A mãe ouvia, e adorava, só queria saber de descansar, que bom, jornal, agora. Já tá quase na hora de dormir, que bom. E repetia toda a hora – “Que bom, que bom”.
Ah, é mesmo, já tava esquecendo de desenhar uns pássaros. Uns pássaros, assim, ela desenhava. Mas bem fácil, eram só dois riscos meio distorcidos e uma bolinha no meio. Eles vinham lá do horizonte, e cruzavam com as nuvens laranjas. Laranja, laranja. Bonito laranja, eu acho, mesmo que for só na nuvem é tão bonito laranja. Gosto mesmo dessa cor, adoro. Queria que o mundo todo fosse laranja.
A mamãe ainda estava vidrada da telinha de quatorze polegadas da sala. Ela estava em casa, no quinto andar, descansando. Jogada, vendo as notícias. Caída de forma que ninguém tinha a tocado, agora ela só queria o jornal. Só não, ela queria um pouco dormir, algo já lhe pesava, mas a TV. A TV. A TV e o pai.
A menina já estava desenhando o décimo sexto pássaro. No décimo sétimo ela parou, fez um riscozinho que não parecia asa, nem bico, nem nada. Parecia só um risco. Um risco preto. Não quero pássaro preto. Um de cada cor, menos preto.
“Mamãe, têm pássaro preto?”.
“Quê?” – Ela nem ouvia direito. Mas o pai, a TV, as noticias. “Quê”? Notícias?
“Pássaro preto, têm?”.
“Tem, filhinha, Urubu é preto. Vive no lixo”.
“Tá”. – Ele deve ser preto de tão sujo. Nem deve tomar banho. E no desenho de flores e corações azuis não cabia urubu preto. Tão bonito, mas urubu vive no lixo.
“Urubu vive no lixo, urubu vive no lixo”. – Ela começou, assim, e nem sabia direito porquê, queria repetir tudo o que ouvia. – “Lixo, lixo, lixo”.
Não agüentava mais. As notícias afundavam, as palavras se confundiam, agora não queria mais notícias, não queria mais. Que bom. Péssimo. Não agüentava mais. Mas não podia. Ele tá demorando hoje, ou eu que tô com muito sono? – Nossa, ela nem sabia. Nem queria saber, muito menos queria ficar se perguntando essas perguntas tão sem resposta. A moça que apresenta o jornal tá tão bonita. Pronto, vou prestar atenção e copiar o corte de cabelo dela. Vou cortar o cabelo igual o dela. Igual da TV. Amo jornal. Que droga. Ele, que não chega logo, quero logo desligar essa TV, não agüento mais. Ela tirou os óculos.
A menina olhou pra TV. A mulher falava umas coisas meio confusas, mas a imagem era tão bonita que ela quis desenhar. Ela ouviu a palavra “Bolsa”. Bolsa. Pronto. Bolsa vai ser o nome do desenho. Escreveu, em cima de uma folha novinha de papel. Era tão bonito, merecia uma folha branquinha, novinha. Mas escreveu bem devagar, bem devagar, com o lápis laranja. “Bolsa”. Saiu uma coisa horrível. Mas tava bom, ela gostou. Uns números, umas pessoas falando no telefone e uns papéis voando. E lá atrás, uma lousa preta, cheia de números passando, brincando de pega-pega, números e palavras, mas sujo. Todo mundo se amontoando. Que bagunça. Que bagunça. O urubu ia gostar. Ela olhou para o desenho que a dois minutos atrás achava a coisa mais bonita do mundo. Mas Urubu ia gostar. Pegou o último lápis-de-cor de desenhou um Urubu. Feio. Ela rasgou.
“Mamãe, o urubu vive na bolsa?”.
Ecoou.
“Mamãe, o urubu vive na bolsa?”.
Olhou. Rasgado. Não acredito. Ela virou e a mamãe estava dormindo. Dormindo. Dormindo. No sofá. Ela virou, levantou, andou, olhou e fez um gesto meio indescritível. Sacudiu.
“Mamãe, acorda! Acorda, acorda! Mã…”.
“Filha”. – “Filha”, ela disse. Filha, ponto final. Insignificante, filha.
“Mamãe, o urubu vive na bolsa?”.
A mãe olhou cega em volta. Cega. Cadê meus óculos.
“Cadê meus óculos?”.
A menina olhou em volta, mas também nem sabia o que olhar. Ah, óculos. Do lado dela. Ela não tava vendo mesmo. Ela riu. A menina riu. Uma menina daquela idade rindo, meu deus. Numa hora daquelas. Ria devagar, riso de quem desenha nuvem laranja. Mas durou pouco. Durou tão pouco quanto a folha branquinha antes da bolsa. Complicado. Ela achou. Vestiu os óculos, continuava cega, sei lá, louca e cega de sono. Pena.
“Mamãe, o urubu vive na bolsa?”.
Parece que ela nem ouviu. Sim, meio cega, meio louca, meio surda, meio muda. Nem falou e nem respondeu nada, continuou. O lápis preto por último. Argh. Preto. Droga. Continuou. Foi andando meio bamba até o corredor, quase que fica meio sem consiência também, antes de atravessar o corredor, ela tava longe, longe, longe, quase apagou a luz. Mas não apagou. Filha, você tá aqui.
“Filha, desliga a TV, vai dormir. Mamãe tá cansada e não vou esperar o papai hoje”. – Ao menos conseguia falar.
“Tá”.
Ela andou até a TV. No chão de carpete as folhas e o lápis, a luz da TV que agora nem mais jornal tinha, tinha outra coisa que não era mais jornal. Apertou o botão. Fim, por hoje.
“Cata esses lápis do chão, eu vou dormir, filha, vai também, tá? Guarda os lápis na caixa”. – Ela nem queria ouvir resposta, tava surda.
“O urubu vive na bolsa, mamãe?” – ela teve que gritar ligeira.
“Sim, vai dormir”. – Tava surda. Muito surda. Falava “vai dormir” toda hora, mas ela que queria dormir, ela que queria. Sim, sim, sim, sim, sim, vai dormir, vai dormir…
E ela foi. Ela, a mamãe.
Sozinha na sala, nem TV tinha pra fazer barulho. Inquieta. O barulho a deixava inquieta. E muito. Queria sair logo dali e ir dormir. Papai, você vai me proteger, não vai? Tomara, pai. Ela foi tão correndo de medo de apagar a luz que nem contou de novo os lápis no carpete. Contar o quê, tão quieto. Tão inquieto.
Depois. O pai chegou, atravessou a porta, tropeçou e caiu todo pesado em cima do lápis branco que ela deixou cair na hora da inquietação. Caiu. Risos silenciosos.
Elis Regina – Como nossos Pais
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e diante de tudo isso meu êxtase consumidor, as palavras que me engolem e o frio que me gela até o final dos dedos, e nos ossos. aquele dia que acabou sem se ver, que derramou todo o molho de tomate no chão, e acabou por virar acabado. virar, olhar pro outro lado e ver tudo, tudo, tudo menos nada. nada sempre é alguma coisa. eu sou alguma coisa, nada, sou eu. mais que promessas e mais que cheiros, mais que amores, menos dinheiro, mais perguntas. cada vez mais perguntas. uma duas três quatro cinco seis sete sete sete oito vezes sete perguntas. sete dias. um ano. acabou-se o tempo, e todas as águas já se esparramaram vermelhas, como molho de tomate. acabei por tentar ressucitar meu velho amigo, terminei por acabar ao contrário do que eu sempre pensei antes. desconexo. publicado e desconexo. palavras bonitas, momentos bonitos, pessoas feias. as pessoas são feias, podres, por dentro e por fora. gostaria que fossem opacas, mas são podres e cremosas. sangue e mohlo de tomate. acabou-se por cair em poços profundos e escândalos. escândalos cada vez mais chatos. quero acabar logo, quero achar bonito de novo. que bonito. que bonito. você é bonito e quero que acabe. podre.
Sleater Kinney – Milkshake’n'Honey
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mordo uma maçã. uma maçã. uma maçã, a maçã é doce. a maçã não combina com yakult. nunca coma maçã com yakult. bom é só maçã, doce, mas amarga. e doce, e amarga, e maçã. ela, toda cheia de maçãs, toda cheia de si, toda cheia de mim, nós. em cima das maçãs, fechando o olho, e olhando. uma maçã é sempre uma maçã. árvores. árvores verdes e cheias de maçãs. cheio de “oriehnid”, todo cheio de maçã, sentindo o gosto e comendo, sempre, sempre, sempre, sempre, maçã. todos os meus dias de simplicidade foram embora e surreal, surreal. apareceu-me uma maçã. várias maçãs. mas no final eu só dormi. acordei. maçã, de novo. fim.
Rolling Stones – It’s Only Rock’n'Roll
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Não sei que horas são aí. Aqui são 00:05. E não adiantaria se você me disesse. Nesse momento você não pode provar se eu sou um pensamento original ou só palavras, que estranhamente, estão tentando se comunicar como se fossem gente.
Este é meu blog restrito. Eu vou dar a senha pra algumas pessoas só, e aqui eu vou postar o que eu quiser, e nada do que vocês querem ler. Nada, nada, vou ser extremamente egocêntrica, por isso acho que pouco vai interessar aos leitores que eu der a senha, mesmo eu sabendo que são pessoas próximas.
Não repassem a senha, sejam chatos, e egocêntricos como eu. Queiram tudo só pra si mesmo.
Acho que deveria começar falando alguma coisa melhor, mas o melhor sempre fica pro final. Esse é o só o começo… :)
Steppenwolf – Magic Carpet Ride
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Primeiro post demorou pra sair, correria de feriados, férias, cursinho, tudo uma loucura… Mas voltei…
Há muito tempo deixei de contar coisas sobre a minha vida no blog, não faço um “diarinho”, até porque minha vida não tem nada de tão interessante ao pOnto de as pessoas se interessarem em ler sobre ela todos os dias…
Entretanto sempre procuro trazer pro blog informações que acho interessante, sobre os mais variados temas… cinema, quadrinhos, musica, artes, até um pouco de política as vezes…
Pro primeiro dia, só pra não ficar um post vago de “apresentação”, vou colocar duas tirinhas, uma mafalda e snoopy, meus preferidos…
http://i24.photobucket.com/albums/c7/gui_cemin/blog/059.jpg “ioio”
http://i44.photobucket.com/albums/f29/tiras_snoopy/peanuts256.jpg “arvore”
Volto amanhã pra falar um pouco sobre a páscoa, que foi ontem
Até!







