Xis Princesa


Notas de um homem que Tomava seis banhos em um dia só.
Maio 6, 2005, 5:10 pm
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hmm… Doeu só de pensar que logo, logo, ela vai embora. Fiquei horas pensando em uma forma de escrever uma carta direta, mas ao mesmo tempo emotiva, mas também sem baba-ovo, para despedir-me de maneira correta. E eu bem que queria chegar lá na hora e lhe dizer as famosas palavras sádicas: “Isso vai doer mais em mim do que em você!”, sabe, meu sonho é ser um psicopata famoso, mesmo que for só no cinema, tipo Hannibal ou algo parecido. Uau! Ia ser demais. Por onde eu passasse, a multidão de afastaria! Que nem aquele homem da bíblia que separou o mar pro restante do povo passar, qual o nome dele mesmo? Bom, isso não importa. Voltando ao contexto. Acho que não vou ter coragem de falar nada na hora do aperto. Acho que como da outra vez, só vou conseguir encharcar o meu olhar e fazer logo o serviço, para voltar pra casa constrangido e com o rabo entre as pernas. Além do mais, quem disse que as horas que se sucedem são fáceis? Imagina! Não pode ter sangue de barata, normalmente eu chego todo sujo, então tenho que chegar já tomando um banho frio, banho que se repetirá já mais umas cinco vezes durante o dia. E durmo bastante também, pra na verdade fugir do meu próprio sentimento, me esparramo pela cama, claro, logo depois de tomar uns 3 comprimidinhos verdes que quase me matam de tanto sono. Mas isso são detalhes. Ah, morro de nojo de sangue. Sim, sangue é a coisa mais nojenta do corpo humano, e fede, tem um cheiro horrível, mal posso suportar. Por isso normalmente atiro de longe, mas ela. Ah, ela eu não posso. Porque olha, eu sou ruim, ah! Eu sou extremamente ruim, ruim mesmo. Amargo, e calculista. Muito calculista. Adoro rir, por isso também sou sádico. Mas ela. Ela tinha que ser especial, porque o sangue dela nem vermelho é, é azul assim, brilhante. E cheira a rosas. Então tenho que fazer de modo especial. Mas não vou mandar carta nenhuma como pensei em mandar, sabe, acabei de desistir. Vou fazer com um punhal. Estrategicamente pelas costas. Mas olha, vai doer. Acho que nem trinta remédios verdinhos vão me fazer dormir mais tarde. E nunca mais vou lavar minha mão de sangue azul. Espero que seja lindo. Aliás, já estou atrazado. É melhor me desejar sorte. E se por um acaso você me assistir em algum telejornal, diga pra eles que eu me insipirei naquele filme, O Silêncio dos Inocentes. Bang!

 Nancy Sinatra – Bang Bang (My Baby Shot me Down)