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Faz tempo que eu não faço poesia
Acho que nessa encherei um balão
como se estoura na mente aguda
Fala baixo pra não acordar
Desce morro rolando,
Deixando extraviar e extraviando
Pausamentemente leviano, vou
sem métrica nenhuma
Não é poesia, não é sina
São apenas palavras roubadas de toque
Quando me toca
Quando te toco
Nunca se ouve dilúvio tão grande
Que me fizesse regurgitar assim
Dependesse da minha fome
Sua mão já teria me atravessado
(assim como as falas)
Digo que mansa não sou porque feras,
elas não são
Devagarinho tento achar encaixar
mas me escapam pelos vãos
(e consequentemente se vão)
Ladrilhos gotejam um pouco de lodo
Garotos de botas, corracota
Correndo em alguma direção
Tento, mas em vão, alcançar,
sabe?
Só consigo levantar, adivinha,
pausadamente, desse jeito
Rouca e de suor
Lágrimas de palidez
Não sinto sono mas sentirei
Amanhã é domingo ainda já tempo
Esse cheiro insuportável corroendo
Parece que as palavras não querem,
elas nunca querem
Palavras combinem, por favor
Elas vão combinar
Nem que eu tenha que terminar
rimando
paixão, e coração.
(De antemão, um mamão na sua televisão).
Só?








