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Que vontade de esmagar! Que tristeza essa minha ignomínia! Tal fato é indubitável! Meu amor é platônico! Ela adora cereja! Minha febre é tersã! São coisas deliciosas os queques! Coisas por aí borboleteiam! As flores são escassas! Passou-me grande agouro! Tudo O bêbado cambaleia! O rapaz tornou-se escalafobético! Foi um artista de araque! O paciente era desrítmico! Não negocio com calhordas!
Falaria-as repetidamente até o fim dos tempos.
“Esmagar”, agressiva, ao mesmo tempo parece que no fim nos trás um conforto, uma maleabilidade incrível.
“Ignomínia” tem cara de nariz franzido, mas ao mesmo tempo estática, séria.
“Indubitável” passa tanta certeza mas parece muitas vezes frágil, magrinha, seu grande I no começo é tão desajeitado!
“Platônico” solta-se tão rápido que nos dá a primeira impressão errada. No fim, é um inseguro.
“Cereja” se fosse com “S” seria tão certa… tão feminina. Mas esse “C” parece um intruso, um defeito, uma imperfeição perfeitamente delicada.
“Tersã” parece que quer continuar, quer movimento…
“Queques” repetição adorável, sonoridade incrível!
“Borboleteiam” … borboleteia!
“Escassas” é perfeita, remete tudo aquilo que significa, um grande deserto vazio na caatinga.
“Agouro” essa, ao contrário, parece um grande poço de água, mas é na verdade de uma frieza impressionante.
“Cambaleia” remete-me aos gordos.
“Escalafobético” é desesperadora, parece que está se movimentando freneticamente dentro de um cubículo de 1mm cúbico.
“Araque” dá uma raiva, mas depois alivia. Por fim, mostra toda sua bestialidade.
“Desrítmico” estranhamente me remete a baratas voadoras.
“Calhordas” passa a primeira impressão errada, como um grande e vão buraco cheio de reticências…
As palavras são lindas, um dia ainda comprimentarei alguma na rua. Olá, senhora “humana”, como vai a filho “hímen” ? Oh, é mesmo, me esqueci que você só tinha parido “homens”!
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Em um vasto campo florido por belas begônias, a comunidade se aglomerou em volta de uma televisão antiga e poeirenta, com a imagem muito falhada. O casal de velhinhos parou de tricotar nostalgias, as crianças cessaram a frenética corrida atrás do rabo do cachorro, e a modelo nua finalmente se sentiu aliviada quando deixou de ser o centro das atenções do fotógrafo pornô e todos dessa vez olharam para a televisão. Uma voz rouca e majestosa gritava de dentro da tela que a missão tinha sido um desastre. A comunidade então se angustiou, já prevendo o desastre que estava por vir. O astronauta iria voltar.
Entretanto o próprio astronauta se mostrava muito austero. Tinha um grande bigode com as pontas levantadas, usava óculos redondos e uma quantidade exorbitante de gel para cabelos. Naquele momento, tinha uma expressão de tristeza no rosto devido ao grande fracasso de sua viagem entre os anéis de Saturno. Porém, prometeu para si mesmo sair da nave com a cabeça erguida, amaciando de leve os pêlos do bigode para sair bem nas fotos para os jornais.
Foi quando que, para a sua grande surpresa, ao abrir a pesada porta de saída da nave, sentiu um forte cheiro de queimado no ar.
“Oh, meu deus, será que esqueci a água do café fervendo?” – Ele pensou. Mas logo notou ser uma possibilidade incabível, já que a xícara de café estava pousada vazia na mesa ao seu lado. O cheiro de queimado se tornava cada vez mais forte, e o mundo parecia estar cada vez maior. Um instante depois, ele percebeu, com grande espanto que estava em uma altura muito inferior a da mesa que tinha deixado a xícara de café. Apenas percebeu o que se tornara depois de achar seus óculos redondos de miopia. Olhou-se no espelho e percebeu que os anos de uso do gel fixador para cabelos o tinham transformado em uma grande massa gosmenta azul que tinha a única finalidade de engomar cabelos. Furioso, viu sua face líquida se avermelhar e seu bigode, única parte que lhe sobrara, torcer-se sozinho de raiva. Como ia sair daquele jeito e posar para os fotógrafos que lhe esperavam do lado de fora da NASA? Pensou durante muito tempo sobre a vergonha que passaria, e cada vez mais enlouquecido com sua situação, resolveu finalmente encará-la. Fez apenas uma objeção a si mesmo: Passaria correndo e logo em seguida iria ao lugar mais próximo que tivesse begônias, pois estava com muita fome.
E foi assim que se sucedeu. A grande meleca com seu imponete bigode se arrastava pelo corredor de fotógrafos, deixando por onde quer que passasse, um trajeto gosmento, avermelhado pela timidez do que um dia foi um astronauta. Quando finalmente chegou ao campo de begônias, as pessoas já o esperavam. Os velhinhos espetaram pela última vez a agulha no manto multicolorido das lembranças, as crianças receberam sua derradeira lambida canina e o fotógrafo se agarrou a modelo nua, pois ela seria a última mulher que viria na vida. A gosma então os observa com um olhar cruel e vingativo.
Um sopro de vento muito forte agitou o cabelo de todos da comunidade. Eles se entreolham, como se de um certo modo estivessem se despedindo. A meleca azul começa então a se expandir, tornando-se pouco a pouco uma enorme e imponete bolha de gel para cabelo, que envolve a comunidade que já desesperava, correndo de um lado ao outro. Nenhuma pessoa escapou a fúria da grande bolha, e todos tiveram uma cruel morte por asfixia.
Quando finalmente desinflou-se, a geléia sente vontade de sorrir, mas apenas o que podia fazer era movimentar frenéticamente o bigode para expressar a grande alegria que sentia. Naquele momento, ele estava satisfeito, e podia comer todas as begônias que desejasse, até o dia do juízo final.







