Xis Princesa


SOBRE O TEMPO
Dezembro 21, 2008, 4:52 am
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Eu nunca falo de mim no meu blog. Acho minha vida pouco interessante para sair publicando por aí. Só que é fim de ano, e no meu caso, é inevitável deixar de fazer resoluções. Na verdade acho bem piegas essas coisas de fim de ano, mas como sou muitas vezes assumidamente piegas, não vai ter problema.

Fora o clichê do “esse ano passou rápido” -  E se for pensar, nem é tanto assim, são só trezentos e sessenta e tantos dias… Aconteceram muitas coisas nesse ano, que mudaram a minha vida de verdade. Dezoito anos não é só uma idade, pelo menos pra mim… Tudo foi diferente depois dos dezoito. Pra valer.

Os pensamentos são engraçados. Sempre torcemos para que dê tudo certo, mas então dá errado. E quando estamos desacreditadas de tudo, tudo dá certo. Acho que a vida prega peças mesmo, tudo é imprevisível. Mas ao mesmo tempo tudo dá certo, quando não nos desesperamos.

Esse ano eu consegui praticamente tudo que desejei ano passado… Me dedicar aos estudos e trabalho, ser feliz, conhecer pessoas e coisas interessantes… Mas como uma boa ariana, não posso deixar de reclamar um pouquinho… Faltou um tiquinho de amor, mas quem sabe isso não será compensado no ano que vem? Tenho uma leve impressão que irá. E por tudo isso, posso dizer que 2008 foi o ano mais importante da minha vida pra mim, consegui muita coisa. Mas ainda sou ariana, e continuo instatisfeita e querendo dominar o mundo, por isso…

 

EM 2009 EU QUERO VOU!

1 – Estudar ainda mais.

2 – Começar a tomar energético.

3 – Comprar um despertador de corda que toque MUITO alto (Esse fator é importantíssimo).

4 – Comprar um novo caderninho só pra idéias (noturnas, principalmente).

5 – Me aperfeiçoar no trabalho, nunca ficar satisfeita com o “bom”, me antecipar, ser menos desligada e ter menos preguiça!!

6 – Arranjar uma manicure boa de verdade.

7 – Ter mais jogo de cintura e bom humor nos momentos difíceis.

8 – Começar a frequentar o tempo budista (fico adiando sempre).

9 – Fazer uma tatuagem e consertar ou trocar minha vitrola (fico adiando sempre também).

10 – Gastar mais com cultura e menos com roupas (Ok, essa vai ser difícil).

11 – Ter mais autonomia.

12 – Manter o peso.

13 – Sofrer menos com bobagens e ser mais pé no chão… Agir mais com a razão do que com o coração.

14 – Assistir o máximo de filmes possíveis na semana.

15 – Ler pelo menos 2 livros de literatura.

16 – Ser mais gentil e não ter vergonha de ser gentil (Eu sei, é absurdo mas acontece comigo).

17 – Aperfeiçoar meu francês.

18 – Ter aulas de fotografia.

19 – Visitar mais minha mãe e minha avó.

20 – “Don’t you want somedoby to love?”



DICAS DE CLARICE LISPECTOR
Dezembro 15, 2008, 8:00 pm
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ou melhor dizendo, Dicas de Teresa Quadros

Meio cômico, mas eficaz…
De que modo matar baratas? Deixe, todas as noites, nos lugares preferidos por esses bichinhos nojentos, a seguinte receita: açúcar, farinha e gesso, misturados em partes iguais. Essa iguaria atrai as baratas que a comerão radiantes. 
Passado algum tempo, insidiosamente o gesso endurecerá dentro 
das mesmas, o que lhes causará morte certa.

Na manhã seguinte, você encontrará dezenas de baratinhas duras,
transformadas em estátuas.

Há ainda outros processos. Ponha, por exemplo, terebentina nos lugares freqüentados pelas baratas: elas fugirão. Mas para onde? O melhor, como se vê, é mesmo engessa-las em inúmeros monumentozinhos, pois ‘para onde’ pode ser outro aposento da casa, o que não resolve o problema.



CONTO – É DERRAME
Dezembro 9, 2008, 3:56 am
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            Parece que algo puxa minhas pálpebras. São puxadas rápidas e precisas, mais como contrações. Agora algo puxa abaixo do olho. É uma força que vem em duas direções, em cima e em baixo. Só que estou deitada. Faz alguma diferença? Se estou deitada não seria mais certo falar “de um lado pro outro”? E contrai. Mas contrai com força e raiva, como se a minha própria energia vital tentasse se vingar de mim. Eu me viro, ele quase dorme. Para, mas depois volta, rapidamente. Eu sei que está dormindo porque está tendo espasmos. Mas eu não me importo.

            “Bem, você já sentiu isso?”

            “Que” – Um “quê?” sem acento mesmo e sem ponto de interrogação e rasgado que nem daria pra escrever. Esse é o único adjetivo possível: rasgado.

            “Amor, você já sentiu suas pálpebras vibrarem?”

            “Do que tá falando?”

            “Assim, de repente, enquanto você decide se vai se levantar ou não pra ir ao banheiro. Essas coisas que a gente pensa, sabe? Aí começa a contrair.”

            “É derrame.”

            Foi quando eu descobri que isso se chama derrame. Mas não é um derrame sério daqueles que deixa seqüelas e tudo mais. É um derrame simples que dá em pessoas que estão estressadas.

            “Estressada? Que palavra mais brega. Ninguém mais fica estressado. Não aceito, é muito brega.”

            “Mas você aceitou casar comigo. E isso é brega.” – Nesse momento, ele acendeu o abajur e pegou o óculos que estava em cima do criado-mudo. Me olhou derramada na cama com a boca semi-aberta. E não era um olhar qualquer, ele botou os óculos e me olhou de cima. Ele estava no topo de um prédio em que se podia ver a cidade toda e eu era apenas um saco plástico vazio voando ao léu sem beleza e importância nenhuma. De longe já ouvia vaias, aquelas que ouvimos quando um time perde um gol “Uuuuh”. E isso foi quase meio segundo porque minha primeira reação física foi olhar instintivamente para a minha aliança. Quase meio segundo depois disso, me senti envergonhada pelo meu próprio instinto e tentei disfarçar fingindo que estava examinando minhas unhas. Depois me aproximei e dei um beijinho piedoso em seu peito, e já fechando o olho, disse:

            “Vamos dormir?”

            “Não”

            Ritual começado, alguns minutos antes do fato em si, uma música que pareceu ser a pior música do mundo começa a tocar. É uma música alegre com uma letra que fala sobre guarda-chuvas. Chuvas sempre trazem coisas boas em músicas, como aquela do Frank Sinatra ou Village People. Mas nesse caso, a chuva alegre era irônica e ria de nós, “seus humanos imbecis, vão ter que parar lalala…” – apesar da letra ser sobre as malditas chuvas.

            “Tenho que atender, meu bem”

            Oh, meu bem, tudo bem, querido, tudo bem, pode atender, benzinho, sem pressa, tenho todo o tempo do mundo, nos casamos pra isso não foi? Rolo feito uma criança se jogando num abismo de lama para o outro lado da cama. E o rádio-relógio marca 20h47. Não é nesse horário que estão todos jantando ou assistindo Jornal Nacional? Ou não dá pra imaginar o que um casal recém-casado faz esse horário? Suspiro. Viro de lado e ele está sentado na cama sem roupa, só com um lençol emaranhado de forma estranha em seu pé e falando no celular em tom cada vez mais alto.

            “Não dá pra ouvir, tem muita gente aqui. (pequena pausa) Alô? (pequena pausa) Escuta, eu tô no shopping, no Mc Donald’s, dá pra me ligar outra hora? (pequena pausa) Tá, tá. Não dá pra ouvir, vou desligar.”

            Ele desliga e me olha  sorridente com aquele olhar sacana de homem pelado. Mas.

            “Mc Donald’s? De onde você tirou isso?”

            “Sei lá, amor, disse qualquer coisa” – Já beijando meu pescoço estático. Caramba, homens não percebem quando ficamos estáticas? Porque continuam?

            “Mas Mc Donald’s, amor? Você podia falar, estou num restaurante francês maravilhoso, comendo uma comida estupenda, magnífica.”

            Então ele parou de beijar meu pescoço e me olhou com a mão pousada de leve no meu ombro. Uma de suas sobrancelhas arqueavam aos poucos para cima.

            “Mas você não é francesa.”

            “O restaurante que é francês.”

            “Amor, nós somos brasileiros, inclusive essa casa. E esse colchão aposto que foi feito na China ou algo assim.”

            “Mas então, chinesa? Pior ainda. São os restaurantes mais sujos, os piores do mundo.”

            “Então, são piores que o Mc Donald’s também.”

            “Seu porco. Os dois são horríveis.”

            “Mas o sanduíche é bom. Isso que importa.”

            “Mas são nojentos e fedem a molho barbecue.”

            Ele riu.

            “Que tá rindo? Eu tô falando sério.”

            Ele parou de rir. Fez uma cara de sério forçada. Mas via as contrações no canto da boca que estavam sendo controladas com muita dificuldade.

            “Porco.” – Olhar  decidido pra frente, seguido de cruzamento de braços e franzimento de testa.

            Ele então me olhou caridoso, me chamou de porquinha, beijou-me a testa, que desfranziu-se como uma sanfona fazendo a nota mais aguda. Beijou-me a bochecha, e os olhos se fecharam. Finalmente, beijou-me a boca. Meu instinto dessa vez fez meu braço envolvê-lo.

            Qualquer coisa apagou a luz.



OS CAFAJESTES
Dezembro 5, 2008, 6:13 pm
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Engraçado, não é. Se ouve muito por aí desses “homens cafajestes” que chegam na sua vida, só te usam, te enchem de esperança e depois somem. Sempre achei que esse tipo só existisse nas revistas femininas mesmo, e se eu encontrasse algum um dia eu seria tão superior que ele teria vergonha da própria existência logo no dia seguinte. Mas aquele sorriso na fotografia mostra o contrário. E é engraçado também porque esses “mitos” muitas vezes chegam até nós como se fossem apolos com o corpo escultural, dentes perfeitos, pegada irresistível, um pênis gigante e um borogodó sem igual. Mas não. Eles são caras comuns e interessantes, mas normalmente sem papo e complexados. São extremamente bons e extremamente ruins. Por isso estão num ponto de equilíbrio finíssimo, como uma corda bamba de fio de cabelo, e estão prestes a desmoronar (apesar de que sempre haverá uma grande – perdão – um grande balão de ar com seios enormes para que eles caiam  em cima).

E é atrás dessa linha tênue que todos os cafajestes se escondem de todas as mulheres do mundo que querem matá-los, estrangulá-los, massacrá-los, torcê-los como roupas recém lavadas. Mesmas mulheres que secretamente os amam e se tivessem a oportunidade fariam tudo igual. E são impagáveis os sorrisos dos malandros, com covinhas e barbas por fazer, que se estapeia primeiro e depois, para se desculpar, se beija. São aqueles que para eles, mulheres são mulheres, lindas, maravilhosas e cheirosas e sem defeitos. Realmente, um defeito fica pequeno e banal porque se iguala a de todas as outras com a qual você o compartilha.

Não querendo dizer bem, até porque isso seria “trair o movimento”, mas cafajestes têm seu mérito sociológico. Eles são atores, sedutores e bebedores de vinho. E não se engane, mulher: Aquela barba mal-feita é milimetricamente pensada. E se já foi, não se arrependa… Afinal, tem sempre um romântico doido e solitário que te amará eternamente esperando por você com um ombro disposto e seco esperando para ser molhado pelas lágrimas de seu eterno amor platônico. E esse doido romântico que pode muito bem, em outros carnavais, ter sido o cafajeste.



Super Obama Worldr
Dezembro 3, 2008, 6:15 pm
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O resultado de férias como as minhas não poderiam ser diferentes: Lendo um livro com um conto mais doido que o outro. Só pra exemplificar: Num deles, uma garota se apaixona pelo príncipe William e tem sonhos eróticos com ele, envolvendo saias bem cortadas e bundas. Em um outro, uma moça resolve dar aulas de natação em uma cidade onde não existem piscinas, nem rios, nem lagos… Em bacias de água. E no tapete. E os alunos são três velhos de oitenta anos.

Até aí tudo bem, até porque o livro é bom. Mas, depois que eu vi isso, minha vida mudou completamente:

Sim, Super Obama World. Sua missão é capturar moedas em forma de bandeiras dos Estados Unidos e matar “porcos” capitalistas. E ladrões com saquinhos de dinheiro. Dez.

Amo as férias, mas logo vou enjoar. Quero minhas amigas de volta.