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Para quem ainda não teve a oportunidade de ver o clipe que produzi e idealizei junto com o Artthur. Bjos!
Eu ainda não acredito na enorme casca em que essa sociedade brasileira têm se escondido. Nietzsche escreveu o “Anticristo”, e dali, pra mim, a teoria da conspiração tornou-se plausível e defendível com argumentos convincentes. Depois de milhares de anos de mentira, a Igreja católica ainda insiste no mesmo discurso prosaico. A igreja não acompanha o andamento da civilização, e coloca as pessoas numa posição extremamente confusa e contraditória entre a moral cristã e a realidade da vida. A fé não é condenável, é um refúgio, que muitas vezes é confundida e associada a essa moral. Em uma música interpretada pelos Beatles e escrita por Gerry Goffin e Carole King, existe, na letra, uma metáfora interessante:
Chains, my baby’s got me locked up in chains.
And they ain’t the kind that you can see.
Whoa, oh, these chains of love got a hold on me, yeah.
O intuito poético de quem escreveu a música pouco tem a ver com o tema desse texto. Mas a realidade é que nos vemos hoje constantemente presos em correntes invisíveis de “amor”, exatamente como diz na música. Não sabemos se isso é uma coisa boa ou ruim, sabemos que estamos, e lá ficamos.
Lendo coisas sobre aborto na internet, encontrei uma garota em um fórum que ansiava por ajuda porque tinha apenas 17 anos, estudava, trabalhava e havia descoberto que estava grávida de um garoto que ela namorava a apenas 5 meses. A primeira resposta do tópico, colocada como “Melhor resposta até o momento” era de uma outra garota que muito asperamente respondeu: “Na hora de abrir as pernas você foi muito mulher, não é? Que tal ser mulher e assumir o filho? Fica se fazendo de vítima, mas a errada foi você”.
Oras, então o ser humano (mais especificamente, a mulher) tem de viver sem nunca errar? Estamos compelidas a uma vida de preocupações e neuroses, como se a cada segundo fosse acontecer um desastre natural? Uma criança pergunta à mãe de onde vem os bebês, e ela explica, pormenorizando, que o papai “planta” uma sementinha dentro da mamãe e então nove meses depois nasce o bebê. Ao que, para a surpresa da mãe, a criança rebate da forma mais inesperada, com a frase “Ainda bem que você só fez isso uma vez, mãe”. Essa historinha é motivo de risada sempre que é contada, porque sabemos muito bem que ninguém mais faz sexo só para se reproduzir. Os erros, esquecimentos, descuidos… São coisas que acontecem e não podemos julgar alguém porque até hoje ninguém nunca decifirou a complexidade da mente humana. E os que julgam, são sempre os que estão de fora da situação, não viveram aquilo, mas falam, falam, falam… Como se fossem os maiores especialistas no assunto. Enquanto tudo é escondido, finge-se que nada acontece.
Mas acontece. São mais de zeis zeros enfileirados de dados de aborto clandestino por ano no Brasil, sem contar aquilo que não é computado. Como as pessoas ignoram isso e ficam discursando a favor da “vida” nas igrejas enquanto em casa tem uma gaveta cheia de camisinhas? Muitas mulheres também adoram fingir que não tem sexualidade, que não se masturbam e ficam tão pressionadas que o sexo se torna algo chato e meio que uma “obrigação”. Também não está escrito a quantidade de homens católicos bem casados que procuram prostitutas para compensar a frieza da própria esposa. Além disso, o corpo da mulher é da mulher, ela está sempre sozinha numa dessas, mesmo se o namorado for companheiro. Ela se olha no espelho e lembra do problema: “Estou grávida” é primeira pessoa. “Está grávida” é terceira.
Há um rombo enorme entre a sociedade ver quem ela é e o que ela pensa que é. A perfeição está só no dicionário. Esse Deus inquisidor não é perfeito.
Arquivado em: cultura, ficaaiadica, inúteis, júlia | Tags: disco, lp, sleeveface
Essa semana descobri esse site bacanérrimo. Pessoas do mundo todo mandam fotos fazendo essa brincadeirinha de “Sleeveface”, que é basicamente colocar um disco que tenha na capa um rosto, fingir que ele é nosso e tirar uma fotinha. Mas tem gente que leva a sério e faz até produção só pra isso. Fiquei um tempão fuçando no site, achei umas muito bacanas. Uma das minhas preferidas é essa aqui do Beethoven:

Lá também vamos achar David Bowie, Madonna, Edith Piaf, Michael Jackson, Buddy Holly e assim vai! Vale a pena conferir, o endereço é esse: http://www.sleeveface.com
Ah… E eu, claro, não podia me furtar em querer dar uma de Debbie Harry…

Loraça Beuzebu.
Beijos, ficouaiadicafimdeférias.







