Xis Princesa


ABORTO E POLÊMICA
Fevereiro 5, 2009, 9:46 pm
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Eu ainda não acredito na enorme casca em que essa sociedade brasileira têm se escondido. Nietzsche escreveu o “Anticristo”, e dali, pra mim, a teoria da conspiração tornou-se plausível e defendível com argumentos convincentes. Depois de milhares de anos de mentira, a Igreja católica ainda insiste no mesmo discurso prosaico. A igreja não acompanha o andamento da civilização, e coloca as pessoas numa posição extremamente confusa e contraditória entre a moral cristã e a realidade da vida. A fé não é condenável, é um refúgio, que muitas vezes é confundida e associada a essa moral. Em uma música interpretada pelos Beatles e escrita por Gerry Goffin e Carole King, existe, na letra, uma metáfora interessante:

Chains, my baby’s got me locked up in chains.
And they ain’t the kind that you can see.
Whoa, oh, these chains of love got a hold on me, yeah.

O intuito poético de quem escreveu a música pouco tem a ver com o tema desse texto. Mas a realidade é que nos vemos hoje constantemente presos em correntes invisíveis de “amor”, exatamente como diz na música. Não sabemos se isso é uma coisa boa ou ruim, sabemos que estamos, e lá ficamos.

Lendo coisas sobre aborto na internet, encontrei uma garota em um fórum que ansiava por ajuda porque tinha apenas 17 anos, estudava, trabalhava e havia descoberto que estava grávida de um garoto que ela namorava a apenas 5 meses. A primeira resposta do tópico, colocada como “Melhor resposta até o momento” era de uma outra garota que muito asperamente respondeu: “Na hora de abrir as pernas você foi muito mulher, não é? Que tal ser mulher e assumir o filho? Fica se fazendo de vítima, mas a errada foi você”.

Oras, então o ser humano (mais especificamente, a mulher) tem de viver sem nunca errar? Estamos compelidas a uma vida de preocupações e neuroses, como se a cada segundo fosse acontecer um desastre natural? Uma criança pergunta à mãe de onde vem os bebês, e ela explica, pormenorizando, que o papai “planta” uma sementinha dentro da mamãe e então nove meses depois nasce o bebê. Ao que, para a surpresa da mãe, a criança rebate da forma mais inesperada, com a frase “Ainda bem que você só fez isso uma vez, mãe”. Essa historinha é motivo de risada sempre que é contada, porque sabemos muito bem que ninguém mais faz sexo só para se reproduzir. Os erros, esquecimentos, descuidos… São coisas que acontecem e não podemos julgar alguém porque até hoje ninguém nunca decifirou a complexidade da mente humana. E os que julgam, são sempre os que estão de fora da situação, não viveram aquilo, mas falam, falam, falam… Como se fossem os maiores especialistas no assunto. Enquanto tudo é escondido, finge-se que nada acontece.

Mas acontece. São mais de zeis zeros enfileirados de dados de aborto  clandestino por ano no Brasil, sem contar aquilo que não é computado. Como as pessoas ignoram isso e ficam discursando a favor da “vida” nas igrejas enquanto em casa tem uma gaveta cheia de camisinhas? Muitas mulheres também adoram fingir que não tem sexualidade, que não se masturbam e ficam tão pressionadas que o sexo se torna algo chato e meio que uma “obrigação”. Também não está escrito a quantidade de homens católicos bem casados que procuram prostitutas para compensar a frieza da própria esposa. Além disso, o corpo da mulher é da mulher, ela está sempre sozinha numa dessas, mesmo se o namorado for companheiro. Ela se olha no espelho e lembra do problema: “Estou grávida” é primeira pessoa. “Está grávida” é terceira.

Há um rombo enorme entre a sociedade ver quem ela é e o que ela pensa que é. A perfeição está só no dicionário. Esse Deus inquisidor não é perfeito.



I (L) 50′S
Janeiro 28, 2009, 8:32 pm
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Ontem fui a uma lanchonete aqui em São Paulo chamada “Rockets”. O clima de lá é super bacana, o estilo dela é toda anos 50/60 e tem jukeboxes espalhadas por todos os cantos. Adoro esses lugares nostálgicos, eles me dão vontade de dançar!   Me inspirei e decidi dedicar esse post aos anos 50 e 60, com as coisas mais legais dessa época, na minha singela opinião:

A Música

Precisa dizer alguma coisa? Foi nos anos 50 que nasceu o rock’n'roll! Duvido que você não mexa pelo menos os pézinhos quando ouve alguma música dessa época.

Na vitrola: Chuck Berry, Chukky Checker, Aretha Franklin, Beach Boys, Bill Halley, Ronettes e claro… Elvis! – E Wolly Booooolly!

 

O Cinema

Sou suspeita pra falar dessa parte, eu adoro todas as épocas do cinema, mas foi nos anos 50 que a sétima arte virou puro loosho e glamour. Quem nunca assistiu pelo menos um filme da Marilyn Monroe ou “Cantando na Chuva”? Sem esquecer, claro, das grandes pérolas de Bergman e Hitchcock feitas também nessa época.

Mas o melhor mesmo era Marlon Brando e James Dean gatésimos com suas t-shirts apertadinhas. (Ui!)

 

A Moda

Alguém nega que essas sainhas rodadas são puro charme? E os óculos de “gatinha”, lenços, jaquetas, bolinhas, sapatinhos boneca?

Let’s twist again!

 

E para quem ainda não arranjou uma máquina do tempo, fica ai umas diquinhas para curtir os anos 50 aqui em São Paulo mesmo:

- The Clock Rock Bar: http://www.theclock.com.br

- Rockets Hamburguer: http://www.rockets.com.br

- Wooly Bully: http://www.woollybully.com.br (Em Vinhedo-SP)

- Graal 67 (Rodovia Anhanguera)

- Feirinha do Benedito Calixto – Todos os sábados (Para comprar antiguidades)



BRISA NA BALIZA
Janeiro 26, 2009, 8:24 pm
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Estava lendo um artigo de um livro que fala sobre o que hoje conhecemos popularmente por “BRISAR”. O texto analisa um quadro de Manet chamado “Dans la Serre” (ou “Na Estufa”):

Dans La Serre - Manet

… enfatizando, em certo momento, o olhar da mulher:

DetalheEla está ou não está brisando?

trecho

Nunca imaginei que poderia existir um texto sério falando sobre isso.

Livro: O Cinema e a Invenção da Vida Moderna – Texto 2

 http://books.google.com/books?hl=pt-BR&id=hfvmVIbZjFYC&dq=o+cinema+e+a+invencao+da+vida+moderna&printsec=frontcover&source=web&ots=PxdBSMiu8c&sig=2BJCNcEWxw-1eCYSEbIwKxsjgLM&sa=X&oi=book_result&resnum=10&ct=result



DICAS DE CLARICE LISPECTOR
Dezembro 15, 2008, 8:00 pm
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ou melhor dizendo, Dicas de Teresa Quadros

Meio cômico, mas eficaz…
De que modo matar baratas? Deixe, todas as noites, nos lugares preferidos por esses bichinhos nojentos, a seguinte receita: açúcar, farinha e gesso, misturados em partes iguais. Essa iguaria atrai as baratas que a comerão radiantes. 
Passado algum tempo, insidiosamente o gesso endurecerá dentro 
das mesmas, o que lhes causará morte certa.

Na manhã seguinte, você encontrará dezenas de baratinhas duras,
transformadas em estátuas.

Há ainda outros processos. Ponha, por exemplo, terebentina nos lugares freqüentados pelas baratas: elas fugirão. Mas para onde? O melhor, como se vê, é mesmo engessa-las em inúmeros monumentozinhos, pois ‘para onde’ pode ser outro aposento da casa, o que não resolve o problema.



Artigo – Festivais de Música na Record
Setembro 22, 2008, 2:14 am
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“Vocês ganharam! Vocês ganharam! Isso é o Brasil subdesenvolvido! Vocês são uns animais!”   

 

             A TV Record teve seu auge de audiência nos anos 60, quando promovia, em seu horário nobre, festivais e programas de música. Isso a consagrou como “a emissora dos festivais”. Esses programas eram muito populares, em uma época que a MPB era pauta de conversas informais, nas casas, nos bares, nas ruas…

            Em 1965, já fazia muito sucesso o programa apresentado por Elis Regina e Jair Rodrigues, chamado “O Fino da Bossa”. Nesse programa, já começavam a surgir novos talentos da música popular, e alguns já muito conhecidos.

            Nesse mesmo ano, substituindo a transmissão de campeonatos de futebol de domingo à tarde, estreia na Record outro programa para competir com o “Fino da Bossa”: “Jovem Guarda”, apresentado pelo “trio” Erasmo e Roberto Carlos e Wanderléia. A partir daí, disputas acirradíssimas aconteciam entre os dois programas, chegando ao ponto de, por exemplo, artistas como Jorge Ben serem vetados do “Fino” por terem se apresentado no “Jovem Guarda”. É desse impasse que surge a famigerada disputa entre os fãs da Jovem Guarda e da Música Popular. Claro que a Record alimentava essas disputas, e a cada programa, mais audiência.

Mas com a grande explosão de hits e ídolos, como Ronnie Von (que inclusive depois teve seu próprio programa), o programa liderado pelo “trio” acabou superando, em termos de audiência, o “Fino”. Foi querendo mostrar que a música popular também tinha novidade e qualidade que os festivais surgiram na TV Record, que na época tinha praticamente todos os dias da semana algum programa de música na grade.

O primeiro festival transmitido de São Paulo até o Rio pela Record foi ao ar em 1966, e foi um verdadeiro sucesso. Chegaram à final “Disparada” de Geraldo Vandré e “A Banda” de Chico Buarque, com muitos aplausos, e acabaram dividindo o prêmio. O segundo festival, transmitido no ano seguinte, causou ainda mais alvoroço, com direito a “violada no auditório” de Sérgio Ricardo e os quatro primeiros colocados: Edu Lobo, Gilberto Gil, Chico Buarque e Caetano Veloso.

            Com o “estouro” de Chico Buarque nos festivais, a Record lança um programa que tinha ele como apresentador, chamado “Pra ver a banda passar”. Mas o Chico, como apresentador, dá um belo cantor e letrista. Outro programa musical de muito sucesso era “Esta noite se improvisa”, transmitida nas noites de terça-feira. Era um programa de competição, onde os artistas também faziam pequenos números de improvisação.       

Negação como apresentador de TV, Chico aparecia bem mais solto num outro programa da Record. “Esta noite se improvisa”, comandada por Blota Jr. e sua mulher, Sônia Ribeiro. Era um fascinante torneio não só de conhecimentos musicais como também de reflexos e agilidade física. Fazendo indispensável suspense, Blota disparava o mote (“A palavra é…”) – e quem apertasse primeiro o botão à sua frente ia com o microfone para cantar uma música. Podia-se ganhar até Gordini, uma das estrelas do parque automobilístico nacional dos anos 1960.

(Chico Buarque – Tantas Palavras; Humberto Werneck. Ed. Companhia das Letras) 

            Nos anos de 1968 e 1969 os festivais continuavam fazendo sucesso e lançando grandes artistas da música popular. Em 1968, lançando Os Mutantes, Tom Zé e Gal Costa, expoentes do Tropicalismo, que também começava a despontar. Infelizmente, após 69, o formato dos festivais foi reformulado e entrou no lugar a “Bienal do Samba”.

            Mesmo assim, essa programação musical fez a Record chegar a picos de audiência, e consagrou clássicos da música popular reconhecidos até hoje. Ainda bem que hoje termos a sorte de ter acesso a essas imagens tão raras do nascimento de uma nova geração de músicos que estará sempre no imaginário do brasileiro. E que bom também pensar que música era discutida assim como hoje se discute futebol. Realmente, os Festivais foram mais que programas, mas marcos na história e memória de todos.