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Vou ficar um tempo sem escrever aqui nesse blog, por falta de 3 coisas:
– Tempo
- Motivação
– Internet em casa
Espero voltar em breve com as três coisas em dobro. Se não der o tempo, pelo menos as outras duas. Por enquanto só em 140 caracteres: www.twitter.com/jbbkino
Seeya,
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Quase não se viam rugas. A pele era macia, e era bom esfregar uma mão na outra. A janela entre-aberta, com a luz passando cheia de minúsculas partículas de poeira que brilhavam bonitinhas. Ela soltou um suspiro sem nem quase perceber.
Deitou na ponta da cama e deixou sua cabeça virar até os cabelos encontrarem o chão. Tudo estava invertido, mas não fazia diferença porque agora a diferença era a música. Ela ouviria qualquer coisa, mas se tocasse aquela… Aquela que conta uma história que eu nunca vivi mas bem que poderia, gosto dela… Se tocasse seria bom, e será que em outra estação? E o único que podia se dar ao luxo de escolher alguma estação era seu dedo mindinho, que conseguia se esgueirar pelo pequenino buraco onde faltava o botão. Quando enfim havia uma sintonia perfeita, talvez, tocasse aquela. E se não tocasse, era bom, e se não fosse, não faz mal, era só voltar para a favorita… Mais um trabalho para o dedo mindinho. A cabeça doía, era melhor ficar no chão.
Chão de tacos e porta fechada. De um lado um armário, do outro uma cama, e na frente um antigo toca-discos. No centro, ela e o rádio. O armário não fechava direito, e ela ficava abrindo e fechando a porta porque gostava do som arranhado que ele fazia, porque não era um arranhado irritante, e talvez porque não suportasse apenas o som do rádio de frente ao seu rosto e nada na outra extremidade, e combinava. O antigo toca-discos era só um item esquecido de sua mãe. O rádio estava à frente. O rádio estava em tudo, principalmente quando deitava com um ouvido no chão e outro no rádio… Ela estava no meio de uma floresta invisível, e o locutor chamava mais uma, mais uma da minha cidade… Essa era boa, dizia… “Na na na na…”, fecham-se os olhos nas infinitas letras que aparentemente não tinham significado nenhum… “Na na na n
E a porta abre. Ela vira rápido e cheia de vergonha mas tentando não demonstrar.
– Vai almoçar já ou depois?
– Que?
– Almoço já saiu, não vai comer?
– Depois. Fecha a porta, por favor?
Fui violada. O chão de tacos machucou meu braço. A testa enrugou. Porta semi-fechada. Sintonia falhando.
Ela virou quase raivosa para usar o mindinho. Colocou na favorita e voltou a deitar, batendo de leve a cabeça no chão. Não doeu, porque o locutor anunciava alguém da minha cidade que pediu aquela música. Aquela! Finalmente…
Mas aí não se fala mais, nem o armário resmunga. Malabarismos para conseguir escutar com os dois ouvidos e a vontade de que nunca acabasse. Por um momento ela pensou que a música podia nunca mais findar para que essa sensação permanecesse. Mas como as sensações, a música acaba, o dia também e com os dias a infância.
Houve o fim definitivo do botão e do rádio depois da infância, mas o céu é o mesmo, nos quartos por aí.
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Para quem ainda não teve a oportunidade de ver o clipe que produzi e idealizei junto com o Artthur. Bjos!
minha maquiagem já saiu. não consigo ter uma idéia. mesmo achando que teria. queria digitar um texto e não consigo. ninguém responde meu e-mail. não entendo trechos de músicas. as pessoas ficam na frente. não consigo nem sentar numa mesa pra comer. o suco chega depois que eu já comi metade do prato. não há carnes que me agradam, apesar de querer carnes. me arrependi de não ter comido morango com chocolate. comprei um perfume quando não precisava. o crédito do bilhete único está acabando rápido demais. perdi a receita do óculos. as pessoas não falam comigo. quase sou atropelada. chove. não consigo mais escrever poesia. tenho preguiça de postar algo consistente aqui. quero dormir mais. quero ler mais, mas fico ouvindo música. não tento mais achar significâncias em letras de músicas. quero escrever um roteiro. lilly braun.
mesmo assim, ultimamente…
não tenho o que reclamar. parece que a vida tá valendo tanto a pena.
(risos)
Quero demonstrar aqui a minha imensa insatisfação com as modificações da ortografia agora vigente, a partir do mês passado!
Tanto tempo aprendendo a maldita trema no colégio… E as conseqüentes correções das professoras… Principalmente em palavras aparentemente débeis como lingüiça. E depois de aprendido, eles vão lá e tiram! Poxa, trema não dava um ar blasé na língua? Indigno. Uma lingüiça agora é uma simples linguiça.
Na época de alfabetização, temos uma palavras “ícones” das letras do alfabeto: Por exemplo, a de abelha, h de hipopótamo (ou helicóptero), j de… Jibóia! Essa espécime nunca foi tanto conhecida, já repararam? Pois é, e o que será dos livros didáticos agora que não tem acento? A gente fala jibóia, e vai escrever jiboia! Absurdo! Deixarão as professorinhas malucas! Ou… terão de inventar outra palavra “ícone” com jota… Jamelão, janela, jogo, janis joplin, james dean…
Fora isso… A autoban vai ter que mudar todas as placas… De auto-estrada pra autoestrada e o anti-semita vai ser antissemita! Mas quanto a isso tudo bem, eu nunca entendi direito as regras do hifen, so… whattafuck? what-the-fuck?
Então, ó do borogodó.
Enquanto isso, um escrito no banheiro de um buteco na Freguesia do Ó…
Mulher inteligente + Homem inteligente = Romance
Mulher estúpida + Homem inteligente = Caso
Mulher inteligente + Homem estúpido = Casamento
Mulher estúpida + Homem estúpido = Gravidez
PS: Sei que abandonei o blog por um tempo… Mas daqui a pouco volto… Contando minhas aventuras na Bienal do Livro!!
Hoje, apenas uma música.
Não se emocione
Se eu disser que é de minha criação
Essa canção
Eu não pensei em nós
Ela não foi feita para sentir dor
E nem lembra amor
Seria até um tanto injusto
Se eu lhe dedicasse essa melodia
Bem poderia
Ser de vossa autoria
E é de vossa sabedoria
Que o diálogo termina quando começa o refrão
E é de minha euforia
O surgimento do monólogo no início da canção
Parte de toda energia
Que já lhe proporcionei
Pertence a esse movimento
Nesse momento
Eu só quero vossa simpatia
Seria até um tanto injusto
Se eu lhe dedicasse essa melodia
Bem poderia
Ser de vossa autoria
E é de vossa sabedoria
Que o diálogo termina quando começa o refrão
E é de minha euforia
O surgimento do monólogo no início da canção
E é de vossa sabedoria
Que o diálogo termina quando começa o refrão
E é de minha euforia
O surgimento do monólogo no início da canção
Post ainda ainda nas minhas aulas de sociologia,parte minha do trabalho: Fotos da cidade com pequenas historietas baseadas nos textos do João do Rio.

Voltava de uma grande dor de cabeça pós uma noite de ebriedade. Vejo-me pelas ruas quase caindo em cima das sarjetas que me parecem mais camas, confortáveis camas. A cabeça se apóia no parapeito como se ele tivesse sido construído especialmente para ela. A visão tortuosa de repente ajeitou-se: Via diante de mim o velho e o novo, o agora e o depois, o convém e não convém, o moderno e o medieval. As linhas traçadas davam pro céu. Cansado, bêbado, fatigado, dormi e esqueci de todos os paradoxos revordosos da cabeça bêbada. Acordei e não passavam de edifícios.

O rádio toca a decisão do campeonato, por enquanto, 2 a zero. Os cobertores cheias de poeira, voam seus ácaros. Rodeando seu corpo o frio do dia ensolarado. O cachorro que dorme com as pulgas. As bitucas de cigarro daquele mal-educado. Algo que estourou sem querer. As folhas de caderno que voaram, perdendo-se para sempre. As folhas comidas das árvores. Poeira. Vento. Chuva. Sol. Tudo volta a ser limpo, a vassoura dança suja limpando toda a podridão.

A janela era uma mácula. A luz não poderia ultrapassá-la minimamente, se não corria o risco de queimar-lhe a pele até surgir a carne-viva. Escondia-se pelos cantos da casa como um cachorro amedrontado na prisão. Resmungava palavras sem nexo a partir de conclusões estúpidas e loucas. Alguém as vezes o visitava, sem a menor vontade. “Você está bem?” – Perguntavam. E a resposta era sempre vazia. Até que um dia chegou o rebento da terceira geração. Abriram a janela com vontade de brincar. A luz do sol esverdeou-se, ele viu a vertigem, viu o céu, nuvens, prédios, flashbacks, cantos de parede verdes. Fechou os olhos e nunca mais.

Posicionam-se os corredores. Ouve-se o disparo. A pista é imensa, saem. É só um treino, mas há apreensão, nervosismo, nuvem de poeira e inquietude. Quem será o vencedor? Amanhã é dia de decisão. Um deles vai parando lentamente. Pára. Olha para o chão e vê aquela planta disforme, quase em forma de um coração. Apóia-se no chão, maravilhado, observa: O Universo dança, conspirando em cada detalhe sórdido seus ritmos cardíacos. Emociona-se. Os outros corredores já o ultrapassaram por uma volta. Ele venceu.

Depois de vinte e três anos, a caminho de uma padaria qualquer que vendesse qualquer cigarro, foi que vi. A luz vermelha nunca foi tão conveniente. Contemplava a cena de longe. Conversavam displicentemente, banalmente. Será que já esqueceram? É bem possível, depois de tanto tempo… Já devem ter esquecido mesmo. Como vieram parar aqui? Como ela foi pintar o cabelo dessa cor? Por que discute com esse garoto? Será que esse garoto é “aquele”? Ela engordou. Deu vontade de chorar, e sim, certa saudade. Mas esqueceram. Virei-me de costas e fugi, calmamente, fumando meu último cigarro, sem esperança de encontrar outro.

Ah! Se todas essas águas fossem iguais. Termina o dia e estou aqui, imundo, descido de uma barcaça suja, precisando de um banho. Mas o sol se põe, e meus olhos não conseguem relutar em olhar para a calçada suja, eles querem o mar ainda, em tom de despedida, do mesmo jeito que o sol se despede do mar. Um homem com seu segundo olho reluta, filma sem saber a despedida.








Existem coisas que se explicam.